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title: Deriva dos modelos e poluição da Web pela IA
description: Como as IA treinadas com textos de IA perdem diversidade e como verificar um conteúdo gerado antes de o usar no trabalho.
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publisher: Brain (https://startbrain.io)
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cite_as: Brain, «Deriva dos modelos e poluição da Web pela IA», Cyberpedia, 2026. https://startbrain.io/cyberpedia/pt/articles/deriva-modelos-poluicao-web-conteudo-sintetico/ (CC BY 4.0)
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# Deriva dos modelos e poluição da Web pela IA

Os assistentes de escrita produzem textos que outros modelos, ou outros colaboradores, voltam a utilizar. Quando esses textos gerados servem para treinar novos modelos, os investigadores constataram defeitos irreversíveis. Este efeito chama-se «Model Collapse», aqui traduzido por deriva de modelo [1].

Esta ficha explica o mecanismo sem entrar em equações e depois indica gestos simples: verificar uma informação, confrontá-la com outras fontes, reconhecer um conteúdo duvidoso e nunca reutilizar tal e qual um texto gerado.

## Em 30 segundos

- Onde acontece: nas ferramentas de geração de texto e de imagem e nos conteúdos em linha que servem para as treinar.
- O que muda para si: uma resposta pode parecer credível e estar errada, ou ser apenas uma versão empobrecida de um conteúdo existente.
- O reflexo: não reutilize nenhum texto gerado sem o confrontar com uma fonte fiável que tenha aberto pessoalmente.
- Se já o fez: releia o documento, encontre a fonte de cada facto, corrija e avise os destinatários se algum erro já foi enviado.

## Perguntas diretas

### O que é a deriva de modelo?

É a degradação de um modelo treinado com conteúdos produzidos por outros modelos. Os investigadores constataram que usar conteúdo gerado no treino causa defeitos irreversíveis: as «caudas» da distribuição original, isto é, os casos raros, desaparecem. Deram a este efeito o nome «Model Collapse» e observaram-no em autocodificadores variacionais, em modelos de mistura gaussiana e em grandes modelos de linguagem [1].

### O fenómeno limita-se ao texto?

Não. Outra equipa estudou modelos generativos de imagens em ciclos nos quais cada geração é treinada com as saídas da anterior. Sem dados reais novos em quantidade suficiente em cada geração, a qualidade (precisão) ou a diversidade (cobertura) dos modelos seguintes diminui progressivamente. Os autores chamam a este estado «Model Autophagy Disorder» (MAD), por analogia com a doença das vacas loucas [3].

### E nos modelos de linguagem?

Um estudo aceite na NAACL 2024 (Findings) mediu a diversidade lexical, sintática e semântica após ajustes sucessivos com texto sintético, em inglês. Regista uma descida constante da diversidade das saídas ao longo das iterações, particularmente acentuada nas tarefas que exigem criatividade [2].

### Um texto gerado pode estar errado sem que a ferramenta «minta»?

Sim. A OWASP descreve a alucinação: o modelo preenche lacunas com regularidades estatísticas, sem compreender o conteúdo, e produz respostas que parecem corretas mas não têm qualquer fundamento. Os vieses dos dados de treino e as informações incompletas também contribuem para isso [5].

### Os dados de treino podem ser armadilhados de propósito?

Sim. A OWASP chama envenenamento de dados à manipulação dos dados de pré-treino, de ajuste ou de representação para introduzir falhas, portas dos fundos ou vieses. O risco é elevado com fontes externas, que podem conter conteúdo não verificado ou malicioso [4].

## Como funciona

Um modelo de linguagem aprende com grandes quantidades de texto recolhidas na Web. Se uma parte crescente desse texto vem de modelos, o seguinte aprende em parte com cópias. Os autores do primeiro estudo defendem que este risco deve ser levado a sério para continuar a beneficiar do treino com dados recolhidos em grande escala na Web. Acrescentam que os dados provenientes de interações humanas reais com os sistemas ganharão valor à medida que o conteúdo gerado se espalhar pelos dados recolhidos na Internet [1].

O outro trabalho estabelece que, sem dados reais novos em quantidade suficiente em cada geração, a qualidade ou a diversidade diminui [3]. As páginas consultadas não quantificam a parte de conteúdo sintético atualmente presente na Web, e esta ficha não avança nenhum número.

## O que faz

- Trate uma resposta gerada como um rascunho. A OWASP designa a confiança excessiva (overreliance): os utilizadores integram dados incorretos em decisões importantes sem uma análise suficiente [5].
- Confronte com fontes externas fiáveis. A OWASP recomenda cruzar as saídas do modelo com essas fontes e prever uma revisão humana e uma verificação dos factos para as informações sensíveis [5].
- Encontre a origem de cada facto, número ou citação antes de o escrever num documento. Se não encontrar nenhuma fonte, retire o facto.
- Verifique se uma referência existe antes de a usar. A OWASP cita um caso em que o ChatGPT fabricou processos judiciais falsos, com graves consequências perante um tribunal [5].
- Quanto ao código, não adote sem controlo uma biblioteca sugerida. Há assistentes que propõem bibliotecas de terceiros inseguras ou inexistentes [5].
- Reconheça os conteúdos duvidosos: texto sem autor nem fonte, afirmações sem apoio, contradições com uma fonte que conhece. Estes critérios são referências de bom senso desta ficha, não um método extraído das fontes.
- Assinale o conteúdo gerado quando o divulgar. A OWASP recomenda rotular claramente os conteúdos gerados por IA e informar sobre os limites de fiabilidade [5].

## As armadilhas

- Uma resposta fluida não é uma resposta verificada: a desinformação de um modelo parece credível [5].
- Uma fonte que reproduz um texto gerado não constitui uma segunda opinião. Duas páginas que dizem o mesmo podem vir do mesmo modelo.
- Os próprios modelos podem vir do exterior. A OWASP observa que atualmente não existe garantia forte sobre a proveniência dos modelos publicados: as fichas descritivas não dão nenhuma sobre a sua origem [6].
- Um modelo envenenado pode comportar-se normalmente até que um gatilho altere o seu comportamento, o que torna o defeito difícil de detetar [4].
- As condições de utilização de uma ferramenta podem permitir o uso dos seus dados para treino. A OWASP assinala este risco quando as condições e a política de privacidade são pouco claras [6]. Não introduza informação sensível numa ferramenta não validada pela sua empresa.
- Um erro de IA compromete a organização mesmo sem atacante. A OWASP cita o chatbot da Air Canada, cujas informações erradas dadas aos viajantes causaram perturbações e complicações jurídicas, tendo a companhia sido processada com sucesso [5].

Do lado da organização, o NIST propõe um perfil transversal para a IA generativa, complemento do AI RMF 1.0, de uso voluntário [8]. As diretrizes do NCSC britânico, publicadas a 27 de novembro de 2023, abrangem a conceção, o desenvolvimento, a implementação e a exploração dos sistemas de IA, incluindo a segurança da cadeia de abastecimento [7].

## Casos reais

### 27 de maio de 2023: a «maldição da recursão»

Ilia Shumailov e cinco coautores submetem ao arXiv um artigo que pergunta o que acontecerá aos futuros modelos GPT quando os grandes modelos de linguagem produzirem grande parte do texto em linha. A resposta deles: o conteúdo gerado usado no treino provoca defeitos irreversíveis. Mostram que o efeito pode surgir em várias famílias de modelos [1].

### 4 de julho de 2023: a perturbação de autofagia dos modelos

Sina Alemohammad, Richard G. Baraniuk e seis coautores submetem ao arXiv uma análise de três famílias de ciclos autófagos em modelos de imagens. A conclusão: sem dados reais novos em quantidade suficiente, a precisão ou a diversidade diminui de geração em geração [3].

### 16 de novembro de 2023: o declínio da diversidade linguística

Yanzhu Guo e coautores submetem ao arXiv experiências de ajuste recursivo em inglês. A diversidade das saídas diminui a cada iteração, sobretudo nas tarefas criativas [2].

## Fontes

1. arXiv, «The Curse of Recursion: Training on Generated Data Makes Models Forget», 27 de maio de 2023. https://arxiv.org/abs/2305.17493 (consultado em 3 de novembro de 2026)
2. arXiv, «The Curious Decline of Linguistic Diversity: Training Language Models on Synthetic Text», 16 de novembro de 2023. https://arxiv.org/abs/2311.09807 (consultado em 3 de novembro de 2026)
3. arXiv, «Self-Consuming Generative Models Go MAD», 4 de julho de 2023. https://arxiv.org/abs/2307.01850 (consultado em 3 de novembro de 2026)
4. OWASP, «LLM04:2025 Data and Model Poisoning». https://genai.owasp.org/llmrisk/llm042025-data-and-model-poisoning/ (consultado em 3 de novembro de 2026)
5. OWASP, «LLM09:2025 Misinformation». https://genai.owasp.org/llmrisk/llm092025-misinformation/ (consultado em 3 de novembro de 2026)
6. OWASP, «LLM03:2025 Supply Chain». https://genai.owasp.org/llmrisk/llm032025-supply-chain/ (consultado em 3 de novembro de 2026)
7. NCSC (Royaume-Uni), «Guidelines for secure AI system development», 27 de novembro de 2023. https://www.ncsc.gov.uk/collection/guidelines-secure-ai-system-development (consultado em 3 de novembro de 2026)
8. NIST, «Artificial Intelligence Risk Management Framework: Generative Artificial Intelligence Profile», 26 de julho de 2024. https://www.nist.gov/publications/artificial-intelligence-risk-management-framework-generative-artificial-intelligence (consultado em 3 de novembro de 2026)

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Fonte original: Cyberpedia, a enciclopédia pública de cibersegurança e IA publicada pela Brain. Versão canónica: https://startbrain.io/cyberpedia/pt/articles/deriva-modelos-poluicao-web-conteudo-sintetico/
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